sexta-feira, 24 de março de 2017

Lendo 223

"O amor é um forno que arde,
Visível ou invisível,
segundo a irradiação dos corações sensíveis (...)"
Armando Silva Carvalho in DE AMORE, Assírio e Alvim, Lisboa 2012, pág 31

Tenho encontrado na minha vida almas que amam, como todos o fazem, mas que, desoladamente, os seus corações são fracos de sensibilidade. Ao mesmo que encontro outros que são de uma enorme generosidade sensitiva. Melhor era que todos se dedicassem ao amor com toda a sua sensibilidade, pois acredito que com tanto amor, o mundo seria necessariamente um local muito mais agradável.

Lendo 222

"Os velhos insensatos sonham sexo
com os neurónios viris (...)"
Armando Silva Carvalho in DE AMORE, Assírio e Alvim, Lisboa 2012, pág 25

Tenho alguma dificuldade em entender a adjectivação "insensatos", pois que sonhar sexo é natural ao homem e, pelo menos até à data, ainda não encontrei ninguém, independentemente da idade, não sonhasse sexo. E claro que no caso presente tratando-se de homens serão com os neurónios viris. Acredito que as mulheres o façam com os neurónios feminino, sedutor e emocional. 

Lendo 221

"Ninguém ama sozinho (...)"
Armando Silva Carvalho in DE AMORE, Assírio e Alvim, Lisboa 2012, pág 13

A natureza do amor é a agregação pelo que sendo evidente que ninguém pode amar sem ter alguém para amar, poderá sempre, no entanto, haver amores que pela contingência se quedam individuais. Quais? O mais cruel é quando quem se ama nos deixa e morre. Amamos sozinhos. Amamos o que do outros nos ficou.

Fica, implícito, que quando amamos, acabamos por nos multiplicar. Ficamos com um pedaço desse amado dentro de nós.

O Amor não morre

Estava deitado ao teu lado
E com os olhos semicerrados
Redescobríamo-nos
Pela gentileza do tacto.
Para não incomodar o som da música
Que enchia o ambiente
Entretínhamos as nossas bocas
Uma na outra,
Em longos infindáveis beijos.
Ainda hoje volto semicerrar os olhos
E a sentir o calor dos teus lábios
E as formas eternas do teu corpo.

O Amor não morre

Sentires

Se sentisse as tuas mãos,
Os teus gestos
E o teu corpo
Como sinto a tua alma
Não haveria céu que nos salvasse

quarta-feira, 22 de março de 2017

O inferno


Ou a porta da fornalha

Descoberta

Parto do prindecípio de sempre que não existe maldade. Ninguém age, gratuitamente, por mal. Acontece, todavia, que numa impressão de defesa de si, pois por insegurança e medo se sentem atacadas, respondem com actos viciados em maus sentimentos.
E depois relembro o ditado popular, "dos fracos não reza a história", e entende-se bem, pois que esses ao gerarem esses movimentos acabarão, fatalmente, ou por descobrir a sua força, e aí deixam de ser fracos, inseguros e com medo, ou por isso mesmo são inevitavelmente derrotados.
A sabedoria popular tem raízes profundas no comportamento humano.

Passando por aqui

Já vivi o tempo eterno
Aquele que não tem amanhã
E nem sequer conhece o passado.

E estive, também, num outro
Que ía fazendo passado
Admitindo que era o amanhã.

Vivo agora meditando todos os passados
Pois estou indo para o amanhã
Do tempo eterno.

terça-feira, 21 de março de 2017

A miséria humana

Consegue levar alguém até onde?

Hoje, definitivamente, cheguei a sentir pena de como alguém se reduz a nada apenas para não ter que contrariar uma opção sumamente absurda.
Nenhum merece o que quer que seja. Um exige um comportamento. Outro aceita e executa a ordem absurda. Duas nulidades juntas.
Há matemáticos que conseguem construir uma teoria na junção de duas nulidades, algo como menos com menos dá mais...mais menos...

Tema a voltar com mais atenção e cuidado. O poder. Mais uma vez não é uma arma, não é uma vantagem, é uma questão de servir. Ideias que hoje não são perceptíveis. Poder, hoje, é para servir-se.
A si e aos seus.

O meu Oeste


Comigo mesmo

E estava comigo mesmo,
Não com o meu outro
Ou ainda aquele...
Era comigo mesmo

Estava como sempre
Num apenas eu
Reforçando a introspecção
A falar comigo
Como se fosse um outro
Com o defeito de ser eu
Sabedor das perguntas
E das respostas
E fugindo das dúvidas
Que me ousam a ser
As motivações desastradas
Que nas curvas da vida
Seguimos em linha não curva,
Mas torta.

E voltei para mim mesmo
Não querendo esse eu outro
Mais cruel e fustigante
Que confirma friamente
Que o erro do mim mesmo
É consequente,
Dormente
E sempre presente.

Explicação geométrica

És uma singular recta
Que se faz curvas
E quase se torna num arco...

Mas, e aos poucos,
Fechas as entradas
Que nunca estiveram abertas.
Apenas te restas nesse ponto.
Sem mais nem menos.

Vazios os cheios

Dá-me o teu vazio
Que eu te darei o meu.
E juntos podem ser
Algo mais que
Apenas tu e eu.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Lendo 220

"Caí gota de água no teu ombro,
humedeci levemente a tua pele
e esperei depois a tempestade
o rude furacão que me fez voar (...)"

Pedro Tamen in Rua de Nenhures, Dom Quixote, Lisboa 2013, pág 48

Eu diria, talvez assim

"Caí gota de água no teu ombro,
humedeci levemente a tua pele
e esperei depois um furacão
onde uma tempestade me fizesse voar (...)"

Mas eu sou um romântico que vive emocionalmente para uma harmonia explosiva de felicidade e não gosto de descrever a frieza da separação sofrida.

Lendo 219

"(...) e que nasceu
desde sempre já morto."
Pedro Tamen in Rua de Nenhures, Dom Quixote, Lisboa 2013, pág 34

A poesia, enquanto escrita absolutamente livre consegue trazer pensamentos, pequenos fragmentos que me faz parar e respirar fundo. Quantas vezes andamos com algo definitivamente morto, acabado e sem préstimo para nada... e sequer sabemos porquê ou para quê.

Fazer suas as mágoas alheias

Vive assim
A sentir as penas
E as dores da vida alheia
Com intensa entrega
E, sem se aperceber,
Vai-se quedando
Duplamente mais amarga,
Com um queixume facial
Numa acidez corporal
Irrelevante
É que, por mais esforço
Que dedique a essa causa,
Por mais empenho
E até emoção
Nunca será mais
Que um mero figurante

Por natureza dos enredos
Absolutamente não existe.

...continuação

Vejo um helicóptero a sobrevoar baixo e a cuidadosamente varrer todo o litoral procurando um corpo que estará perdido no mar.
Por instantes admiti que procuravam a minha alma e eu, aqui, em silêncio, observava o mutismo dela e sobre isso me reflectia.

Uma história ( continua)

Vejo um helicóptero a sobrevoar baixo e a cuidadosamente varrer todo o litoral procurando um corpo que estará perdido no mar.
Por instantes admiti que procuravam a tua alma....

Uma reflexão à volta da poesia

A poesia não é um acto que se faz mas uma vida que se vai fazendo