sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Quando tudo está mal

Descobres que vives no mundo dos super diminutivos e há todo um conjunto de gente que nunca falha, nunca erra, nunca se engana e, por tal, são os superlativos absolutos a tua defesa torna-se irrelevante.

E nem vale a pena fazer esforços ou sacrifícios que serão irreconhecidos ou agradecidos.

Vai um espelho?

Poema graçola

Queria agradecer-lhe, Senhora
Mas falece-me a oportunidade
Não sei se por via do motivo,
Ou, apenas coisa da idade.

Ter mapinhas para tirar
Um dever que me encanta
Tivera para onde os mandar
E essa terra não seria Santa.

Assim, a dada a opção,
Terá, pois, Senhora minha
Tudo feito com dedicação
Como se fora uma prendinha.

Após ter recibo um pedido para uma tarefa, aramado em engraçadinho, falei com os meus botões e assim respondi.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Lendo 250

"(...) era ele quem levava pontapés dos outros palhaços e, como ninguém lhe dava palmas, tiveram que o por na rua, porque metia medo..."
Raúl Brandão in A morte do palhaço e o mistério da árvore, Edições Seara Nova, Lisboa, 1926, pág 69.

Algumas vezes acontece esta circunstância trágica. Ser uma parte de um enredo cuja função é ser a exibição da grotesca animalidade que faz as pessoas rirem. Um dia deixa de ter piada a impiedade. Um dia deixa de ser necessário. Não que a grotesca animalidade tenha cessado ou desaparecido, nem a impiedade, nem a irrazoabilidade. Apenas deixa de ser oportuna.Segue a vida tal como sempre fôra, apenas menos atenta a si mesma, menos crítica.

A vida de palhaço é o nosso retrato em ridículo. 

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

mini

Ele chega e lança um comentário
- Sabes que achei estranho aquilo de.......
- Pois eu acho que ..... - e segue um longo monólogo sobre varios temas que se colam uns nos outros.
Ele olha para o tecto e questiona-se "Porque é que insisto?"

As mulheres não só acham que têm sempre razão como são absolutamente incapazes de ter uma escuta activa.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Lendo 249

Só a neve
Conhece os gestos
Com que se tecem os milagres


Luis Falcão in Bruma luminosíssima, Artefacto, Lisboa 2016, pág 43

Muito bom

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Lendo 248

Amanhã já as folhas
terão caído
desfigurando
cuidadosamente
uma voz que se confunde com a noite.

Luis Falcão in Bruma luminosíssima, Artefacto, Lisboa 2016, pág 16

Poesia Haiku

Vamos, anda
Vem ver a neve
Até sermos enterrados

Matsuo Basho
(1644 – 1694)

Esta ideia de ir junto com alguém assistir a um espectáculo belo e deixar-nos ficar contemplativamente até que o mundo termine é absolutamente belo.  

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Para memória futura

Como gosto de ver,
De admirar e espreitar
Percorrer o horizonte
Ou o detalhe da forma,
A singularidade da linha
Ou a multiplicidade exposta.
Tudo é ponte de retorno
À minha sedenta memória,
Baú das minhas emoções.

Entre poesia e poesia haiku

Para onde corres?
E que queres dessa corrida?

O fim é horizontal.

Poema

Vivo do engano,
Do que quero,
Que  penso e desejo.
Vivo da minha vontade
Admitindo a possibilidade
De tudo poder se adequar.

Vivo do engano do outro,
Que vive o seu desejo,
A sua vontade e pensamento
Admitindo essa possibilidade.

E,  por vezes,
Os enganos coincidem.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

da memória

Deitei a minha memória
A meu lado
E, estranhamente,
Aí permanece.
Dela esperava
O meu todo,
A minha vida toda
E o restante de emoções

Mas vejo correr um rio,
O do esquecimento,
Que tudo leva sem perdão
E a mim também.

aproximações

Sou pedaço
Parte ou bocado
E, às vezes,
Vagamente partido

Beco sem saída

Por cada frase
Que se faz esperança
Acontece aquela resposta
De quem em nada crê.

E é um beco sem saída

E mais

Às vezes
Quando me encontro só
Fico tão satisfeito
De estar comigo.

Sometimes
When I'm alone
I get to be so pleased
That I am with me.

Mais

Vou espalhar-me no tempo
Deixando-o passar
Assim como se estivera a dormir
E ausente de tudo.

Mais poesia

E cada dia é mais....
Seja do que te desejo,
Como da certeza, todavia,
Dessa impossibilidade

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Mundo bizarro

Mais uma reunião que confirma aquela máxima que nos diz "quando nada de novo tens para dizer, mas queres confirmar a tua posição marca uma reunião". E, confirmando as informações passadas, deixando no ar que nada sabe quanto ao futuro e que, prontos, estamos aqui.
A turba, por natureza mais dada à pequenez, recolhe ao silêncio com excepção das pequenas gargalhadas de uma qualquer graçola com o intuito de confirmar que esta a acompanhar a conversa de café, perdão, a reunião.
Uma chefia intercalar coloca uma questão pertinente, a qual, e por natureza deste tipo de eventos, recebe a devida resposta ao lado mas carregada de lero-lero que inibe quem quer que seja de voltar ao assunto.

A mediocridade no seu melhor.

Mais tarde, a tentar fazer um conversa sobre este assunto, recebo com uma desnecessária deselegância respostas agressivas e de pouca educação. Erro meu que cuidei que poderia pensar e fazer um juízo crítico. Não! O tema é comer, calar e aplaudir. Quem ousar pensar deverá ser colocado na lista dos dispensáveis.

O ser humano tem aspectos miseráveis.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Cantar alentejano

A palavra saudade
Aquele que a inventou
A primeira vez que a disse
Com certeza que chorou


ou poesia popular

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Sugestão

Larga a balança e não te percas a medir as palavras.
Atenta-te aos gestos que não vês
E abre-te ao que te se abre.