domingo, 19 de fevereiro de 2017

Poema para quem partiu

E foi-se embora....
Definitivamente..
Para sempre...
O nosso sempre,
O sempre que conhecemos.

E fico aqui,
Às voltas com a sua doçura
Com a sua candura
Com o seu modo.

E fico-me
Dentro da minha memória.
Dentro do meu afecto
Dentro do que gosto.

Para a Ana que hoje ficou um anjo.

À mulher

As minhas palavras são mudas
Ouves o teu sentido
Do que não te digo
Mas que preferias
Para satisfazer
O teu egocêntrico desejo
De te saberes sempre
Senhora de toda a certeza...

E o tempo passa
O mundo passa
A vida passa
E nada consegue ficar...
Em ti...
Contigo...
Para ti...
Que não sejas tu, teu, de ti....

Amanhã?
Para quê?
Haja quem insista!
Homens de sempre...

Ouvindo

Durante a missa:
“Perdoai os vossos inimigos (...)”

A origem do perdão está na capacidade de entender, logo o desafio é entender o teu “inimigo”. Nesse caminho conhecê-lo-ás e verás que ao entendê-lo encontrarás todos os caminhos para o receberes e, nesse tempo, nada há a perdoar mas sim mais um pedaço dele a integrar. O "inimigo" é um outro eu. E eu posso ser, ou deixar de ser "inimigo".

Poema lastimado

E, do fundo de algo
Similar a um simulacro
Aparece um sinaleiro
Figura ausente
E quasi irrelevante
De um passado quente...
E diz autoritário:
STOP!
Anacrónico
Irrelevante
Inconsistente
Coiso........

Ninguém nada já.
De que vale o sinaleiro
Quando já não há sinais?

Quase pronto - Espichel


Acrílico sobre tela
20 cm por 20 cm
2017

Em trablaho


Hoje foi dia de fazer a face. Ainda faltam horas de trabalho.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Poesia

A poesia é transportar as minhas dúvidas, ansiedades e reflexões para palavras cifradas para que quem queira (me) possa entender.

aforismo

Aquele que ama, entrega-se.
Quem teme, defende-se.

Diferentemente

Para ti.
Quem?
Eu!
Não entendo...
Quero ser para ti!
Não pode ser. Ficas preso.
Não. Faço porque quero.
Sim. Ficas.
Não aceito, não posso aceitar.
É assim.
Como?
Quem consegue amar em entrega pura não sobrevive.
Sobrevive a quê?
Ao amor do outro.
Porquê?
Porque poucos conseguem...
Amar?
Não, serem amados gratuitamente.

Uma mulher

A impossibilidade de se ser
Um futuro para além de si
Nasce num pedaço de passado
Que ficou por viver.

E ficou nesse tempo
Onde ainda não se é,
Mas que se entende que tudo cabe
Dentro da palma de uma mão.

Depois, num ápice saltou mulher
Sem o tempo de crescer Mulher
Ser uma Eva que dá a maçã
Sem a dinâmica da serpente.

E fora do tempo
Volta a esse buraco
À procura dos instrumentos
Para conhecer esses momentos.

A ambição de ser completa
Passa pela fusão do passado
Com todo o presente
E integrando essa ausência

E futurando-se numa íbis
Que vindo do princípio do tempo
Fecunda o presente
Na plena prosperidade.


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Gerir emoções

Gerir equipas em função da necessidade de protecção emocional é um desastre. Fazer passar a responsabilidade para terceiros torna-a inqualificável.
Todas as pessoas têm qualidades e defeitos. Ninguém pode estar sobre qualquer outra pessoa pelo simples facto que emocionalmente seja necessária.
E pior, não se pode ostracizar alguém com base no medo de expor as suas fragilidades emocionais. Mais tarde ou mais cedo o azeite separa-se da água.

E estes erros podem ter preços mais elevados do que se possa admitir.

Desastres emocionais

A força do afecto
Reduz o sentido
Do entendimento
Chegando, até,
A dar a este
Motivos tais
Que novos mundos nascem.

E, nesses últimos
Apenas resulta
O efeito da ilusão
Que se funda
Na ânsia do amante
Tentar sobreviver.