sábado, 27 de maio de 2017

Histórias de pequenos nadas

Um dia dei com uma mulher que não sabia bem como lidar com o seu presente. Caminhava cheia de incertezas, em terrenos mal definidos e, sobretudo amontoando equívocos, seja sobre si ou sobre o seu futuro e o seu passado.
Dei-lhe a ler, entre mais uns tantos, um excerto de uma história em que, também, se narrava um equívoco muito curioso seja pela potencial cómico, seja pelo lado cruel do engano.
Um dos terceiros que o leu, amiga, como se poderá deduzir, incapaz de entender os vários sentidos da história do autor já há muito falecido, consegue deturpar de tal modo que transforma o excerto numa injúria intencional para afrontar a sua amiga.
Alheio a tudo o que se passava nessa conversa, claramente de casa de banho, recebo, atónito, um inexplicável:
 - Fulano, vai para o cara###!
E, assim, de um engano mal interpretado, mal lido e tolamente descodificado, abre-se uma roptura, uma pequeno fosso. O orgulho entreteve-se a cavar fundo, inundando-o de outros tantos equívocos. Hoje dificilmente poderá haver pontes que o ultrapassem.

O mundo feminino tem estas pequenas nuances. Conseguem fazer de um nada um tudo carregado de impossibilidades quando a impossibilidade está nelas mesmas.

Mini curta

No quarto casamento de um amigo
 - A verdade é que a ambição de um homem é sempre chegar ao quarto.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Uma explicação tardia

Rolava o vento da libertação.
Há quem diga que é o suão.
Vento quente, louco e envolvente...
Temporário, como uma enfatuação
Impossível em si mesmo.

E nele se marchou o exército
Onde militaram todas as armas.
Se fizeram, até, motivação.
Chegando a tomar como pitonizas
Pequenos abutres transfeitos de pombas.

Sem o lastro do tempo,
Vagando no sabor da circunstância,
Imperiosa necessidade de confirmar
Mais que a circunstância
A impossibilidade de ser derrota.

O tempo, essa inevitabilidade,
Inimiga de todas as simulações
Corrige indelevelmente o passo.
E, fatalmente, vai surgindo o lado inverso,
Da dupla realidade unificada.

Quem pode contra o seu passado,
O seu passo confirmado e afirmado?
Apenas uma visão mitológica,
Um dragão que fustigue a história
E limpa toda a impressão passada.

E restará o tempo a vir.
Com os monstros sugeridos,
Bestas de tudo capazes,
Mas reduzidas a mitologia
Que sustém impossibilidades.

Fica, assim nesse mundo
Quem nele habita
E dele se faz vida.
A mitologia dá asas
A quem pode voar.

Estar

Estou a fugir
Pensas tu
De ti...
Do mundo
Das coisas
De tudo...

Apenas fujo para mim
Para completar
O inexplicável
Alfa até Ómega.

Se sares de ti
Conseguirás chegar
Onde tens de começar
Onde todos estamos

A serenidade da demanda.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

O progresso

Eles correm,
Quase se atropelam
Ao fundo, o destino
Descrito em letras
E N O R M E S
Para que não se percam
Nem a meta.
E correm
Sem olhar para trás
Numa luta contra o tempo
Correm mais,
Sempre mais
Gloriosos de cada pedaço
Cada pequena passada
Ou largo passo
Mas, e sempre descontentes
Por ser pouco
Quase nada
E correm
Correm sempre
Não há tempo para parar,
Para respirar
Para confirmar
É preciso mais
E correm,
Correm tudo
E sobre tudo
Querem chegar primeiro
Estar à frente
Na primeira linha
E correm
A meta é só uma

O progresso.

O que quer que isso seja

De uma discussão

De frase fácil, rápida e tantas vezes irreflectida acabou por ser presa de si mesmo. Sempre tão fácil de ser apanhado nas voltas das desinterpretações da comunicação até que começou a aprender a calar. E foi, aos poucos, deixando de falar.
Começava a discussão e passou a sair do corpo que esta na discussão e, alheado das respostas, passou a ouvir mais e a mastigar não a discussão, o que se discutia, mas porque é que se discutia. O que gerara a discussão e o que ela visava.
Sem surpresa, entende que a discussão não visava debater qualquer tema, mas sobrepor uma forma de estar, impor um modelo, forçar uma opção. Não importava a argumentação, nem sequer as palavras. Nada, a bom rigor importava. Apenas um ego.
Calou mais.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

E a conculsão

Estava a escrever uma história de amor e, num momento em que ele se emociona com a ideia peuril de uma conquista, ela, com a mesma intensidade, lastima-o.

Já não há história pois não há amor, nem afecto, nem inclinação. Apenas tempos comuns.

Devaneio

E ela sai... E leva consigo, naturalmente, as suas exuberantes mamas.....

Há lá coisa mais ficcionável que o peito generoso de uma mulher que o exiba com orgulho e alguma generosidade? Qualquer homem faz logo, não um mas vários filmes e todos tão rápidos e fugazes que desaparecem no segundo seguinte. Fica apenas um sorriso na alma.

sábado, 13 de maio de 2017

Tempos tempo

Retornam, agora, aos 3 F's de Salazar. A Fé, a Alma e os costumes colectivos. Andou, a esquerda, como em tantas outras fantasias, a vender uma mentira para construir uma ilusão fantástica de Salazar e do Estado Novo. Hoje, curiosamente, é a população, o povo, os trabalhadores que se revêm nos ditos 3 F's de Salazar. No fundo, sempre foram os seus. A mentira, como diz o ditado, tem uma perna curta. Falta desmascarar as restantes. Temos tempo. A Verdade pode tardar, mas não falha.

Nada

Perdi as letras
As mãos e os sentidos
Desliguei-me por dentro
Fiquei aos pedaços.

Havia um todo
Uma continuidade imaterial
Que ligava o que era importante
Fiquei, apenas, desligado.

O tempo passou a cortes
Acontecimentos apenas
Coisas desligadas
Portanto, sem sentido.

O espaço ficaram lugares
Ilhas que se visitam
Entre mares vazios
Onde nada existe.

Perdi-me, algures,
Numa qualquer caminhada
Que, fatalmente,
Me trouxe a este nada.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

O corpo feminino


É sempre um encanto.

Um retrato


O rosto humano é sempre um desassossego. E, com variações no mesmo tom também não ajuda. Ainda assim menos mal.

Testes de relevo


Aplicando claros e escuros para dar a ideia de relevo. Apesar do pouco rigor na aplicação da cor, de modo a obter uma graduação sucessiva da suposta tonalidade da parede, o contraste claro/escuro permite supor uma morfologia.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Aguarela


Desenho a partir de uma foto no computador. Não foi utilizado lápis. No joelho, o traço foi um descuido que, por ser aguarela e a preto é extretamente difícil de corrigir.