sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Mudanças

Depois de dois anos a viver num edifício novo, com obras feitas e com esta vista deslumbrante, está na hora, novamente de mudar de sítio.


Dizem que vamos para um local com menos condições. Não sei, não faço ideia e nem me entusiasmo para o efeito. Nesta fase, qualquer coisa que se assemelhe a mudança, alteração, modificação será sumamente benvinda.


Não se trata do local, da luz, do ar, ou das condições, mas do ser humano. As mudanças, pelo que colocam no homem em jogo, podem ser grande impulsionadores de alterações. Tristemente, neste edifício do qual saio assisti ao pior do ser humano. A evidente falta de carácter, a incapacidade de lidar com decisões erradas, a falta de inteligência para aferir os dados que são colocados à nossa frente e, tão tristemente, a desonestidade de transformar inocente em alvos a abater.


A larguras de vistas, a infinitude do horizonte, ao invés de predispor para acrescentar dados, serviu para montar barreiras, acicatar animos e instigar pobres de espírito para confrontos vazios. Se, a um tempo, ainda existia um sentimento mais elevado a defender, com o decorrer do tempo nem isso restou. Apenas o pequeno orgulho.
Como se pode culpar uma pessoa por, num diálogo, consegue ler a mensagem oral, a corporal e do tom com que se fala e o que não se quer dizer? Em vez de ser um valor acrescentado, um benefício, acaba por ser uma cruz que se carrega. Em terra de cegos, ter olho não é ser rei, é ser o bode expiatório. 


Espero que tenham deixado todos os maus sentimentos, toda a pequenez por encaixotar.

Desolado, mas confiante no amanhã. Continuo de costas para o mundo e de castigo, mas pelo menos tenho uma janela para respirar e continuar a ver o mundo.

Em reflexão

Há uma estética, sobretudo na esquerda, que consegue ser a sua negação. Sobretudo porque a esquerda tem em si o germe do des-ser, do deixar de ser, do interromper. E nisso aposta tudo ficando pendurada no feio, no monstruoso, no sem sentido, na falta de harmonia e na falta de encanto.
E como fazem isso em bando, replicam-se e inundam o mundo com inexistências.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Devaneios

Hoje almocei na minha companhia. Levei o meu tabuleiro para uma mesa alta e comi o meu almoço sem cair nenhuma nódoa na minha camisa. E, enquanto almoçava falava comigo, longamente.
Terminado o almoço e bebido o café agarrei na minha companhia do costume, a caneta e o meu livro. E, com estes, tinha, num instante uma animada conversa.

Estar só é apenas um estado de alma.

Natureza molhada


Sol da noite


A chuva cria lugares em esplanadas


Inverno


Folha a secar


texturas


Parra pendurada


Natureza morta



domingo, 19 de novembro de 2017

Piada de gosto duvidoso

Um arquitecto é um engenheiro civil gay.

Another poem

As tears go by...
Yes... indeed
My tears...
My heart.

Could we believe?
Could I reached?
My tears
My heart and soul?

Can we go back?
Can we refill our small kind words
Can we refill our hearts
Our minds?

We sould loose
Lost, give away
All of those bad days
Bad words
Bad feelings
That bad us

Just recover us
Our togetherness
Our specials words
Our us

Can we
Can I?
Can you
As our tears go by...

sábado, 18 de novembro de 2017

Sinal dos tempos

O cão passou a ser gente, sendo que às vezes chega a ser mais que gente sobrepondo-se a estes, os gentes. Vivo num bairro simpático, sossegado, ainda que dentro da cidade. O bairro tem a sorte de ter pequenas vivendas de jardins de pouco mais que 20 metros. Espaço que seria de qualidade de vida, de sossego, de uma mesa e umas cadeiras, de descontracção e sossego. Todavia, o espaço foi dedicado ao canídeo. Um daqueles que passa a vida ao calor, ao frio, à chuva e ao Sol. O melhor amigo do homem. Para além do espaço para si, onde se desfaz em necessidades, ainda tem a sorte de dois passeios diários. Fazer exercício, suponho...
O canito, que até é um grande cão, tem imensas saudades dos seus donos e, por tal, julgo eu, faz questão de avisar toda a vizinhança desse seu estado emocional de viver em Saudade. Acredito que com acompanhamento à guitarra seria capaz de produzir uma série infindável de fados absolutamente arrebatadores.
E agora o eu, a gente que vive nos 100 metros em redor desse fadista? Mal podemos abrir as nossas janelas de vidros duplos, mal posso arejar a casa, mas posso deixar entrar os raios de Sol que trazem saúde e alegria a qualquer casa. Vejo-me compelido a transformar a minha casa num bunker para poder ter o sossego que qualquer um, naturalmente, aspira.
Mas o cão é o melhor amigo do homem. Não. O cão é um chato, um maçador... Se alguém gosta de cães que os tenha em casa, que os obrigue a fazer as necessidades em casa, que os mantenha numa conduta socialmente desejável.
Uma criança que é, em absoluto, o melhor amigo da humanidade faz as suas necessidades no bacio, faz a sua birra, tem o seu momento, não são 24 horas. E, cresce... deixa de fazer birras.
Meus amigos, façam filhos e esqueçam essa história do cão. Há muita gente a agradecer.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Não sou boxer

Há frases,
Por vezes somente uma palavra,
Que chegam como socos...
Murros secos,
Fortes e violentos
Porque foram ditas com crença.

Há instantes piores que a mais negra noite.
Gelam todo o sangue
Secam a alma,
E deixam uma brutalidade,
Uma hostilidade,
Uma impossibilidade

Não sou boxer

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

poema sintético

Fazes tricot das minhas intenções.
Fazes e desfazes a mesma linha
Nunca está como queres
E cada dia a linha é outra

Onde quer que vás sabes que t'acompanho

Onde quer que vá
Sabes que m'acompanhas,
Que contigo parto,
E em ti permaneço.
Aquilo que jamais saberei
É, quando partes,
Quem é que te acompanha...

E não podendo ser eu,
Deixa-me, pelo menos,
Ser a ilusão de ser
E conversa-me
Como se tudo assim fosse

Conversa-me sobre tu,
O que me fascina,
O que me encanta,
O que me distrai
E o que me enternece
Diz-me nas tuas palavras
O que sei de ti
Diz-te para mim.

E quando te apartas
Fico-me também aí
Nesse outro lugar
Supondo-te
Imaginando-te 
Vendo-te
E sentindo-te
Como penso que sentes
Quando te apartas...

Onde quer que vás
Sabes que t'acompanho

Poesia de esplanada de café

E passam...
Seguidas
E intervaladas
Em grupo
Sozinhas
E até penduradas
Corpos e corpos
Movimentos animados
Que fazem as suas vidas
Alheadas de mim
Como eu delas
Somos, apenas,
Cenários mútuos.
Corpos com intenção
Cada um com a sua,
Algumas cruzadas
E outras desligadas
E somos nada,
Uns para os outros,
Figurinos de passagem
Apenas...

E como poderíamos
Em cada instante
Conter toda a cada uma
Das vidas com que nos cruzamos

Somos, apenas,
Para os que nos animamos
Ainda que haja outros
Que não desejamos...

Frases com potencial

Você não é uma animação, apenas matéria animada.....
ou o inverso
Você não é matéria animada, você é uma animação.