quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Comunicando

Na estrada onde morámos
Pouco nos víamos
Agora nela passa um rio...
E deixámos de nos poder ver.
Nem às margens chegar.

Um aforismo deduzido da poesia lida

É na saudade que mora o paraíso onde tudo é amor.

Lendo 188

“o amor é fiel 
à saudade”
(…)
Maria Alexandre Dáskalos, in Do tempo suspenso, Editorial Caminho, Lisboa 1998, pág 9

Sobretudo porque é na saudade que mora o paraíso onde tudo é amor.

Lendo 187

“talvez o nosso corpo
Seja pequeno
Para ser a casa
Do amor”
(…)
Maria Alexandre Dáskalos, in Do tempo suspenso, Editorial Caminho, Lisboa 1998, pág 7

Apenas uma mínima nota, diria antes assim:

“talvez o nosso corpo
Seja pequeno
Para ser a casa
Do nosso amor”

Ou então passava o amor a Amor.

Mas seja como for é um poema muito bonito.

Sobre os políticos

O político precisa de surpreender.
E eu a achar que o político tinha que fazer o que a população necessita....

Sobre os egos

A dimensão do ego é capaz de transformar realidades, sendo que a realidade é sempre uma construção individual.

Sobre a utopia

A utopia, no limite, é o paraíso. E o paraíso é a saudade do passado que se realiza no futuro ideal.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Fanny

O drama escrito por Camilo Castelo Branco, Fanny, em resumo é a história, drama e desconsolo de um homem que ama uma mulher casada, tendo, com um caso amoroso.

Bem sabemos que foi escrito com uma determinada forma estética e no século XIX, no entanto é imensamente ajustado ao sentir do amor. Este nunca é pleno e constante. É fugaz e momentâneo. E, num triângulo tal, é-se sempre perseguido pelo ciúme. "Quem amas mesmo?" A solução desejada implicaria sempre um rompimento e uma desonra ( coisa que nos dias que correm já não tem algum valor, tudo se tornou no gozo imediato). A ideia de "mulher de", era não só do homem, mas da casa e mãe dos filhos.
A leitura evidência uma relação absolutamente tormentosa pela obsessão do amante que sente todas as dores de não ser o marido e de ter de dividir a sua amada pelo marido. Nunca há verdadeiro sossego, apenas quando este se ausenta para fora. Aí, e durante esse período, vive-se na harmonia possível, pois está sempre latente o triângulo.
Mais tarde o marido volta e vem com uma amante. A mulher sente-se traída! Afinal a unicidade do amor não é tão evidente. O caos emocional do amante leva-o à necessidade da prova de fidelidade na relação extraconjugal da sua amada. E na confirmação da infidelidade instala-se uma febre de seis semanas! e o fim do romance.

Leio que reproduz, à sua maneira, um outro triângulo amoroso em que Camilo quase se vê envolvido mas foge dele.

Ler Camilo é sempre um prazer imenso. No caso deste drama, torna-se obrigatório a reflexão dos estados de alma do amante.

domingo, 25 de setembro de 2016

Mentira

- Porque mentes?
- Eu não minto!
- Ao dizeres que não mentes, estás a dizer uma verdade.
- Vês como não minto.
- Não estás a mentir e como tal dizes, mentindo, que mentes.

sábado, 24 de setembro de 2016

coisas próximas do céu


a descer

Na praia onde moras
A areia não aquece os pés,
O Sol não se põe no mar
As gaivotas não voam
Nem o mar marulha.


Sentir

Ao longe havia uma mulher.
Não a ideal nem a única.
A preferida?
Também nem tanto.
A mais formosa?
Nem sei se era de tal modo.
Era uma mulher.
E uma mulher é sempre
A mulher
Que um dia,
Num momento,
Numa circunstância,
Por um instante,
Era a mulher.

É da natureza.
Coisas sem razão
E menos coração
Apenas sentir.

Lendo 186

"O amor próprio, por igual com o amor, tem seus ciúmes, seu pudor, suas torturas."
Camilo Castelo Branco in Fanny, Parceria António Maria Pereira, Lisboa 1903, pág 65

Claro. Chama-se a isso a consciência, a auto-crítica, a auto-análise.
A reflexão do eu devia ser uma constante. Apenas na aprendizagem e incorporação das nossas acções alimentamos devidamente o amor próprio.

Lendo 185

"No espaço de um ano, com grande custo, apenas teremos cem horas de viver juntos... a felicidade de que devemos contentar-nos, é isso?"
Camilo Castelo Branco in Fanny, Parceria António Maria Pereira, Lisboa 1903, pág 68 e 69.

A queixa do amante que vive um amor carregado da incapacidade de ultrapassar as ditas 100 horas pela contingência de viver um amor extra conjugal que para manter a respeitabilidade da esposa e amante. Apesar de ter apenas essas 100 horas para poderem suspirar os mesmos ares, encontra nesse tempo a porta para uma felicidade possível.
Contrapõem-se esta ideia à ilusão do amor numa ilha e numa cabana onde todos os dias o Sol se põe maravilhosamente tornando-se, esta, à vista da anterior um imenso tédio.
O que nos pode contentar no amor? Pode o amor ser contentado? Não serão todas as impossibilidades, todas as adversidades e todas as dificuldades do amor, tantas vezes, o sal desse amor?

Planos de contigência

Em todos os sítios por onde andei profissionalmente desde sempre se criaram, de tempos a tempos, planos de contingência. Não que existissem dramas ou cataclismos emergentes, apenas havia que ocupar mentes demasiado soltas, mas temerosas que, tal como aos invencíveis gauleses, o céu lhes caísse em cima da cabeça! A ideia que se pretende passar é que existe uma tal urgência nessas vidas que possuídas de uma ansiedade vital e essencial, instalam essa coisa horrorosa que se chama medo. Ai e se...? Bom e se acontecesse? No limite a ideia é pensar o que fazer se só ficarmos nós na terra? Como se deixa ver, a ideia por si revela que não faz a mais pálida ideia que o mundo, a sociedade, a cidade onde habita, é feito por muitas outras pessoas que em qualquer dessas "tenebrosas" circunstâncias estariam em igual maré de sortilégio maligno e, por tal, absolutamente nas tintas para elas ou o seu importantíssimo desígnio de salvar o mundo e a porca que tem que diariamente apertar, tal como Charlie Chaplin o ilustrou.

Ou seja, num plano meramente primário, a mera possibilidade de ter que haver uma alternativa operativa global, esquece a natureza do universo onde esta se encontra, pois a se dar tal circunstância, ela não seria circunscrita.

Demos, então de barato, que vamos todos acompanhar o esforço de alguém justificar um nada de facto, entretendo para isso o precioso incómodo de um vasto conjunto de pessoas para demonstrar que, com abnegação, esforço e, sobretudo, com a sua suprema dedicação, a solução pela qual todos passaram a suspirar é viável. Nem se imagina a redução maciça de ansiolíticos e anti-depressivos que tal promoverá! Poderemos até pensar que farmácias criaram planos de contingência para essa possibilidade!

Depois das inacreditáveis reuniões estratégicas, metódicas, funcionais e até de trabalho, vamos chegar aos escolhidos, os contingentes! ( no dicionário diz-me que o contingente é algo possível, mas incerto. Não estou a dizer que os escolhidos sejam incertos, pois que o são seguramente, mas são os possíveis! Essa rara qualidade que só a alguns acontece!)

Como chegamos aos contingentes? A primeira linha são as chefias. Afinal são os que verdadeiramente importam para quem desenvolve estes planos, pois é para lhes dar essa noção de escolhidos, de eleitos que estes planos são elaborados. Eles e as chefias são quem realmente importa. Num cataclismo eles dariam o passo em frente e garantiriam o futuro ( bem sei que a ideia de ficarmos reduzidos a eles e às chefias em si é assustadora, mas trata-se de um pressuposto de quem gere a contingência.) Que importa, afinal, aqueles que são os que diariamente lidam com a realidade, que sujam as mãos nos assuntos, que esventram os problemas, que conhecem a carcaça da entidade? Nada, eles são nada, pois na realidade a contingência é uma mera hipótese académica. É um trabalho onde os todos não existem, não entram nem fazem parte. Pode custar uma fortuna, mas isso é irrelevante, pois que uma vez apresentada e resolvida, todos ficaram muito felizes. É como dizer tenho aqui um seguro fantástico que cobre a possibilidade. Custa uma fortuna, mas a possibilidade fica segura. Quem decide, como não é o dono do dinheiro, fica muito mais tranquilo pois que a possibilidade está segura! Aconteça o que acontecer, não acordará a meio da noite atormentado pela possibilidade. Ela está segura!

E assim se gere e planeia a estratégia neste país!

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Mentir

Descobri, facilmente diga-se, que uma pessoa mentiu.
Depois, quando verificava a facilidade com que o fez, reconheço outra e depois outra e mais outra ainda.
O problema foi a primeira mentira, ou a dissimulação da realidade é o seu mundo?

Foto pela manhã


terça-feira, 20 de setembro de 2016

Concerto e uma lição de vida

 

Ontem a Fundação Calouste Gulbenkian celebrava o seu aniversário e convidou a população para ouvir um concerto de música clássica.

Primeira nota: a perfeita integração do edificado na paisagem e desta na fruição dentro dele. Poder assistir a um converto com a imagem de fundo do imenso arvoredo do parque com a sua vida usual é uma encenação maravilhosa. Quase que se espera que das árvores surja um coelho, uma raposa, um urso e que estes desenvolvam um qualquer conteúdo de acordo com a afinação musical. Ao cair da noite a luz artificial mantém a magia de uma natureza absolutamente animada.

Segunda nota: Conheço a quinta sinfonia de Beethoven há anos e anos, como, calculo, parte considerável da população, pelo que sei a sequência e o que espero da sua melodia e sequência. Com esta premissa foi extraordinário ver e entender a necessidade de cada instrumento na maravilhosa produção do conjunto. O tambor ( terá, seguramente, outro nome técnico que desconheço) com assertivas batidas fazia a sonoridade ser exactamente a que o texto melódico necessitava. A determinado momento, e para quem oiça e conheça Beethoven sabe que assim é, de uma imensa intensidade sonora quase tudo se abstém e apenas um pequeno trompete ( ou seria clarinete?) mantém o som e de uma forma maravilhosa. As trompas, atrás, igualmente audíveis na sua singular sonoridade.

Terceira nota: A grande lição que, como tudo na vida, é necessário um chefe que seja respeitado ( o maestro) e que todos sejam exigentes com a sua prestação para que o conjunto tenha valor. Não se consegue ouvir uma peça de música se houver alguém a mandriar, ou a se exibir, ou simplesmente a esconder-se no conjunto. E para que isto aconteça é necessário estudo, treino, esforço e dedicação. Nada na vida é fácil, oferecido ou caído do céu. Tudo requer trabalho e dedicação. Muito.




quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Quem se arrasta

Podes encher o tempo de coisas, se delas nada extrais, apenas andas a fugir à morte.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Caixa de pandora ou da ignorância

Uma revista de história, naturalmente não portuguesa, pois estas só conhecem o século XX, abre-me para o grande tema dos Templários. O mínimo que descubro é que estes estão na origem da banca.